sábado, abril 19, 2008

Parte 2

Hugo – Laura. É esse o seu nome, não é?

Luíza – É, quer dizer, não.

Hugo – Mas foi esse que você disse que se chamava ontem, quando nos conhecemos...

Luíza – Eu não me lembro quase nada das coisas que fiz e disse na noite anterior.

Hugo – É uma pena, pois nós tínhamos feitos vários planos para ficarmos juntos.

Luíza – Vários, é?

Hugo – Sim, vários. Inclusive, combinamos de passar-mos o natal em Gramado.Você disse que tinha parentes por lá. Mas é sério mesmo, você não se lembra de nada?

Luíza – As pessoas não costumam levar em consideração palavras ditas entre doses de cuba, mojito e fumaça de carlton.

Hugo – Mas com você parecia ser diferente.

Luíza – Sempre parece... Até a próxima decepção. Mas o que é que se há de fazer?

Hugo – Você é sempre assim?

Luíza – Assim como?

Hugo – Fria, pragmática.

[Luíza acende um cigarro]

Luíza – São características essencialmente masculinas não? Além de ser dois belos adjetivos. Confesso que nunca fui chamada de fria e pragmática numa mesma noite por uma mesma pessoa. Deve ser um sinal...

Hugo – Também pensei em outros adjetivos, quer ouvi-los?

Luíza – Não, guarde-os para você. Quem sabe em outra ocasião.

Hugo – Pelo visto não com você.

Luíza – É, acho que não.

Hugo – Me dá um cigarro?

Luíza – Você fuma, é?

Hugo – Sim, por que algum inconveniente?

Luíza – Absolutamente.

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